CONVERSAS À VOLTA DO CENTRO III
11 de Abril de 2026
pela cidade de Montemor-o-Novo
com
Maja Escher
João dos Santos Martins
David Gonçalves
e Mariana Pestana
Curadoria: João Rolaça e Margarida Alves
Co-produção: Oficinas do Convento & VICARTE – Vidro e Cerâmica para as Artes
Financiamento: Município de Montemor-o-Novo; Direção-Geral das Artes; Ministério da Cultura, Desporto e Juventude
TEXTO DE ABERTURA
O Centro Mutável é um projecto que se constrói ao longo do tempo a partir de uma pergunta simples: o que pode ser um centro quando deixa de ser fixo? Em vez de um ponto estável de referência, o centro é aqui entendido como algo que emerge nas relações — entre pessoas, práticas, territórios e modos de vida.
Desde o início, interessou-nos não substituir um centro por outro, mas antes, torná-lo instável, permeável e relacional. Um centro que não se define pela sua posição, mas pela intensidade das relações que produz, e que pode surgir em contextos diversos, muitas vezes fora dos lugares que concentram visibilidade e legitimidade.
Na primeira edição, esta questão foi explorada a partir da ideia de escala, convocando práticas que atravessavam diferentes níveis de experiência — do microscópico ao retiniano, do corpóreo ao arquitectónico, do social ao subtil. Mais do que um tema, o que se construiu foi um conjunto de situações onde o processo artístico se tornava partilhado, deslocando o foco da obra final para o ato de fazer, para o tempo e para a atenção que esse fazer exige. Um fazer que produz conhecimento — sensorial, relacional e situado.
Na segunda edição, esse movimento levou a uma aproximação mais directa ao território. Através de práticas como caminhar, observar, recolher ou cozinhar, foram sendo criadas formas de contacto com lugares menos visíveis e mais expostos às transformações da paisagem. Aqui, o conhecimento emerge da experiência: da relação entre corpo e lugar, entre memória e presença, entre o que se vê e o que se sente.
Estas práticas revelam também uma dimensão política, não tanto pelo discurso que enunciam, mas pelas formas de relação que propõem — com o tempo, com o trabalho, com o território e com os outros — contrariando lógicas de aceleração e distanciamento.
Ao longo destas duas edições, as conversas assumiram um papel importante de reflexão e partilha, mas mantinham ainda uma certa separação em relação à experiência vivida. É essa distância que se procura trabalhar nesta terceira edição.
Se o Centro Mutável valoriza o processo, a relação e a experiência, então o pensamento deve emergir a partir desses mesmos processos. Surge assim a ideia de exercício especulativo como prática situada — uma forma de pensar que nasce do fazer, do encontro e da atenção ao que nos rodeia. A arte é entendida aqui como um modo de produzir conhecimento, inscrito no corpo, no gesto, na matéria e no tempo.
Mais do que desenvolver trabalhos autónomos, os artistas são convidados a criar condições para processos de aprendizagem colectiva, abrindo campos de experimentação onde o pensamento pode emergir de forma partilhada. O que se produz pode não se fixar num objecto, mas manifesta-se na experiência, na memória e na transformação.
Esta posição implica também uma dimensão política: ao deslocar o foco da obra enquanto produto, propõem-se outras formas de valor e de relação com a criação.
A terceira edição desenha-se como um percurso por diferentes espaços e práticas em Montemor-o-Novo — do Castelo e das suas hortas ao Cine-Teatro Curvo Semedo e ao Convento de São Francisco — articulando trabalho artístico, caminhada, gesto, alimentação e conversa como partes de um mesmo processo.
A opção por um modelo de participação e contribuição livre reforça esta lógica, entendendo o encontro como um espaço de corresponsabilidade e implicação colectiva.
Trabalhar a partir de Montemor-o-Novo não é, neste contexto, uma condição periférica, mas uma escolha consciente. Uma forma de reconhecer a especificidade do território — os seus ritmos, fragilidades e potências — e de afirmar que o pensamento contemporâneo pode emergir a partir de qualquer lugar.
O Centro Mutável afirma-se assim como uma prática contínua de deslocamento, escuta e construção em comum — um processo aberto, instável e colectivo, que se reinventa a cada encontro.
João Rolaça e Margarida Alves
Abril 2026
CONVERSAS À VOLTA DO CENTRO II
11 Novembro 2023
Cine-Teatro Curvo Semedo, Montemor-o-Novo
Sinopse:
Os artistas 𝐒𝐚𝐫𝐚 𝐁𝐢𝐜𝐡𝐚̃𝐨, 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐨 𝐕𝐚𝐳 𝐞 𝐒𝐞́𝐫𝐠𝐢𝐨 𝐂𝐚𝐫𝐫𝐨𝐧𝐡𝐚 apresentaram e reflectiram sobre os seus workshops, acompanhados por 𝐋𝐞𝐨𝐧𝐨𝐫 𝐍𝐚𝐳𝐚𝐫𝐞́ - curadora e assessora do Museu Calouste Gulbenkian; 𝐅𝐞𝐫𝐧𝐚𝐧𝐝𝐚 𝐁𝐨𝐭𝐞𝐥𝐡𝐨 - especialista em plantas medicinais e silvestres; e 𝐌𝐚𝐫𝐢𝐚𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐬𝐭𝐫𝐨 - arqueóloga e investigadora no Institute for the Study of the Ancient World, para cruzar a prática artística e o pensamento multidisciplinar.
A meio do dia, foi apresentada a performance do músico 𝐀𝐟𝐨𝐧𝐬𝐨 𝐍𝐚𝐬𝐜𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨, no Convento de S. Francisco, que nos leva numa viagem sónica e espacial.
O almoço foi Cozido da panela, confeccionado em lume de chão - opção com carne ou vegetariana - num momento de convívio pelo claustro do Convento.
Ao final do dia, inaugurámos a 𝑬𝒙𝒑𝒐𝒔𝒊𝒄̧𝒂̃𝒐 𝑪𝒆𝒏𝒕𝒓𝒐 𝑴𝒖𝒕𝒂́𝒗𝒆𝒍, na Galeria Municipal de Montemor-o-Novo, com os trabalhos desenvolvidos pelos participantes dos workshops.
CONVERSAS À VOLTA DO CENTRO I
1ª sessão
Cine-Teatro Curvo Semedo, Montemor-o-Novo
6 Novembro 2021
As CONVERSAS À VOLTA DO CENTRO são o culminar de um ciclo de investigação artística transdisciplinar, teórico-prático - com workshops, conversas, exposição, performance e instalações - que acolhe artistas, cientistas, filósofos, arquitetos, curadores e pensadores de diversas áreas do conhecimento, para refletirem acerca do Centro e da sua possibilidade de dissolução.
Painéis (Montemor):
Boas vindas e apresentação Centro Mutável - João Rolaça e Margarida Alves.
Microscópico - Armanda Duarte + Cristina Azevedo Tavares
Retiniano - Inês Teles + Diogo Saldanha e Marta Maranha
Arquitectónico - Os Espacialistas + Sérgio Fazenda Rodrigues
Subtil - Ricardo Jacinto + Cédric Pereira
CONVERSAS À VOLTA DO CENTRO I
2ª sessão
17 Março 2022
Museu Nacional de Arte Contemporânea + Faculdade de Belas Artes, Universidade de Lisboa
Neste dia, contámos com a presença dos artistas Ana Cardoso, Belén Uriel, colectivo Guarda Rios e Ricardo Jacinto, para falarem das propostas artísticas no formato de workshops ou das obras apresentadas no âmbito do CENTRO MUTÁVEL e com as convidadas Ana Catarina Miranda, coordenadora do projeto Rios Livres, GEOTA: Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, Margarida Carvalho, Professora na ESCS IPL, Curadora e Diretora do Museu da Paisagem e Maša Tomšič, Investigadora em Filosofia da Ciência, Tecnologia, Arte e Sociedade na CFCUL, formada em psicologia, neurociências e fotografia, e para cruzarem a perspectiva teórica com as questões conceptuais e curatoriais do projecto.
O artista Ricardo Jacinto apresentou o concerto-instalação MEDUSA, na cisterna da Faculdade de Belas-Artes